meu Deus
eu quero depressa
a minha amada mulher
que passa !
que fica e passa
que pacifica que è tanto
pura como devassa que bóia
leve como a cortiça e tem raìzes
como a fumaça
meu Deus
eu quero depressa
a minha amada mulher
que passa !
que fica e passa
que pacifica que è tanto
pura como devassa que bóia
leve como a cortiça e tem raìzes
como a fumaça
porque não enches a minha vida ?
porque não voltas mulher querida
sempre perdida nunca encontrada ?
porque não voltas a minha vida
para o que sofro não ser desgraça ?
eu quero a mulher que passa
seu dorso frio è um campo de lìrios
tem sete cores nos seus cabelos sete
esperanças na boca fresca !
oh como ès linda mulher que passas
que me sacias e suplicias dentro das noites
dentro dos dias !
teus sentimentos são poesia
teus sofrimentos melancolia
teus leves pulsos são a boa relva
fresca e macia
teus belos braços são cisnes mansos
longe das ventanias
porque me faltas se te procuro ?
porque me odeias quando te juro
que te perdia se me encontravas
e me encontrava se te perdia ?
de repente embora o meu
amor seja um velha canção
nos teus ouvidos das horas
que passei a sombra dos teus
gestos bebendo em tua boca
o perfume dos sorrisos das
noites que vivi acalentado
pela graça indizível dos teus
passos eternamente fugindo
trago a doçura dos que aceitam a melancolia
e posso dizer - te que o grande afecto que deixo
não trai o exagero das lágrimas nem a fascinação
das promessas nem as misteriosas palavras do véu
da alma ... è um sossego uma unção transbordamento
de caricias e sò te pede que pouses muito quieta e deixes
que as mãos càlidas da noite encontrem sem fatalidade
o olhar da aurora
antes e com tal zelo e sempre
e tanto que mesmo em face
de maior encanto dele se encante
mais o meu pensamento
quero vivê - lo em cada momento
e em seu louvor hei - de espalhar
o meu canto e rir o meu riso e derramar
o meu pranto ao seu pesar ou ao seu
contentamento e assim quando mais tarde
me procure quem sabe a morte
a angùstia de quem vive
quem sabe a solidão fim de quem ama
eu possa dizer - me de amor ( que tive )
que não seja mortal posto que è chama
mas que seja infinito enquanto dure
para lembrar e ser lembrados
para chorar e fazer chorar
para enterrar os nossos mortos
por isso temos braços longos
para os adeuses
mãos para colher o que foi dado
dedos para cavar a terra
assim será a nossa vida uma tarde
sempre a esquecer
uma estrela a apagar - se na treva
um caminho entre dois túmulos
por isso precisamos velar
falar baixo
pisar leve
ver a noite dormir em silêncio
não há muito a dizer
uma canção sobre um verso
talvez de amor
uma prece que se vai
mas que essa hora esqueça e por ela
os nossos corações se deixam graves e simples
por isso fomos feitos para esperança no milagre
para a participação da poesia
para ver a face da morte de repente nunca mais esperamos ...
hoje a noite è jovem da morte apenas nascemos imensamente
não cante o humano coração
com mais verdade
amo - te como amigo
e amo - te como amante
numa sempre diversa realidade
amo - te afim de um calmo amor
presente e amo - te além presente
na saudade amo - te enfim como grande
liberdade dentro da eternidade e a cada instante
amo - te como um bicho simplesmente
de um amor sem mistério e sem virtude
como um desejo maciço e permanente
e de amar - te assim muito e amiúde
è que em teu corpo de repente hei - de morrer
de amar mais do que pude
do meu dia eu fiz o cimento da minha
poesia e na perspectiva da vida futura
ergui em carne viva sua arquitectura
não sei bem se è casa se è torre ou se
è templo ( um templo sem Deus )
mas grande e clara pertence ao seu tempo
... entrai irmãos meus !
fria e lúbrica aos meus braços
e nos seios me arrebata e me
beija e balbucia versos vetos
de amor e nomes feios
essa mulher flor de melancolia
que se ri dos meus pálidos receios
a única entre todas a quem dei os carinhos
que nunca a outra daria
essa mulher que cada amor proclama
a miséria e a grandeza de quem ama
e guarda a marca dos dentes nela
essa mulher è um mundo !
uma cadela talvez mas na moldura duma cama
nunca mulher nenhuma foi tão bela !
que o meu peito dói
como em doença
e quanto mais me seja
a dor intensa mais cresce
na minha alma o teu encanto
como a criança que vagueia
o canto ante o mistério da ampliação
suspensa o meu coração è vago de acalento
berçando versos de saudade imensa
não è maior o coração que a alma
nem melhor a presença que a saudade
sò o amor è divino e sentir acalma
tão feita de humildade que tão mais te soubesse
pertencido menos seria eterno em tua vida
a perscrutar - se os sonhos tal como
duas súbitas estátuas em que apenas
o olhar restasse humano
qualquer toque por certo desfaria
sues corpos em pura cinza
a remontavam as origens
a realidade neles se fez substância
imagem dela a face era fria a que o desejo
hictus houvesse adormecido
dele sò restava apenas o eterno grito da espécie
tudo o mais tinha morrido
caiem lentamente na voragem como duas estrelas
que gravitam juntas para depois num grande abraço
rolarem pelo espaço e se perderem transformadas
na imagem incandescente que milénios mais tarde
explode em amor e da matéria reproduz os tempos nas galáxias
da vida do infinito
silencioso e branco como a bruma
e das bocas unidas fez - se espuma
e das mãos espalmadas fez - se o espanto
de repente da calma fez - se o vento que
dos olhos desfez a última chama e a paixão
fez - se pressentimento e do momento imóvel
fez - se o drama de repete não mais de repente
fez - se de triste o que se fez amante e de sozinho
o que se fez de contente fez - se de amigo próximo
o distante fez - se da vida uma aventura errante
de repente não mais do que de repente
esta noite a lua terá um halo de concêntricas
florações de gotas do teu sangue e irisada
sombra do meu leito è o teu rosto iminente
vai trespassar um pássaro
para lhe ler nas entranhas a direcção
tu partiste e as marcas dos teus passos
consiste nos olhos abertos de um pássaro
esventrado
antídoto aos dèdalos
assoma
assombra
ensombra
oh que embargo
que aspas
que estacionários caprichos
a lista das tuas agonias
como se atreve
como não ousa serenar
serenar - te
no ímpeto fugidio e secreto
o sorriso
a alva gravidade do estilo
quanto ódio
tens dentro de ti
o deferente tapete de palavras
a rede bélica
os rasgos secundários
Tudo
engendra
articula
atavia
a sala da tua fala
vou crivar - lhe o coração de alfinetes
para que tu partiste seja a razão magica
de tu poderes morrer - te
e com a tua ausência faço um
pêndulo para interrogar a lua
por tu teres partido e a marca
dos teus passos ser a razão magica
de a lua poder surgir de noite e urtigas
crescerem no meu leito
e quando a lua vier tocar - me
o rosto vou uivar como um lobo
vou clamar pelo teu sangue extinto
vou desejar a tua carne viva os teus
membros esparsos a tua língua solta
o teu ventre lua
vou gritar e enterrar as unhas nos teus
olhos atè que o mar se abra e a lua possa
vir tocar - me o rosto
esta noite a lua terá um halo de concêntricas
floração de gotas do teu sangue e a irisada
sombra do meu leito è o teu rosto iminente
è o leito de teres partido
uma infrutescência de eu
procurar a marca dos teus
passos sobre o meu rosto
como a aparição da lua e a opacidade
do mar no meu leito a lua vai tocar - me
o rosto e a tua ausência è um prisma um girassol
em panóplia
de uma partida iminente
e o tempo apaga a marca
dos teus passos sobre o meu
nome constante è o mar è isso
a lua vir tocar - me o rosto
e encontrar urtigas crescendo
sobre o teu nome o mar è tu
morreste
da tua sombra extinta marca
o fim de um eclipse horário
de uma partida iminente
e o tempo apaga a marca
dos teus passos sobre o meu nome
tocar - me o rosto terás partido
do meu leito e uma gota de sangue
ressequida è a marca dos teus passos
o rosto terás partido
do meu leito
e aquele que procurar
a marca dos teus passos
encontra urtigas crescendo
sobre o teu nome
saber - mo - nos unir - mo - nos
è conhecer - mo - nos sabermos ser
por fim sermos è saber - mo - nos
conhecermos a surda àspide
o erotismo do domínio
do domínio irrisório
mas enorme
submeter
ver tremer
ver tremor do outro
vencer
o gelo
o desdém
veloz
a felicidade è um túnel
e tu vieste abrir
e viste - me como um náufrago
sussurrando qualquer coisa
que ninguém compreendeu
mas era de noite e por isso
tu soubeste que era eu e vieste
abrir - te na escuridão da tua casa
ah era de noite e de sùbito tudo era
apenas lábios intumescências cobrindo
o corpo de fluentes volteios de palpitações trémulas
adejando pelo rosto
beijava os teus olhos por dentro
beijava os teus olhos pensados
beijava pensando e estendia a mão sobre o meu pensamento
corria para ti
minha praia jamais alcançada
impossibilidade desejada de apenas poder pensar - te
são mil e umas as noites em que não bato à tua porta
e vens abrir - me
era de noite quando eu bati a tua porta
e na escuridão da tua casa tu vieste abrir
e não me conheceste
era de noite
são mil e umas as noites que bato à tua
porta e tu vens abrir e não me reconheces
porque eu jamais bato a tua porta
contudo
quando e batia a tua porta
e tu vieste abrir
os teus olhos de repente viram - me
pela primeira vez como sempre de cada vez
è a primeira a derradeira instância do momento
de eu surgir e tu veres - me
gente que tenha dente
que mostre o dente
gente que não seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente
gente com mente sã
que sinta e não mente
que sinta o dente são e a mente
gente que enterre o dente
que fira de unha e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente
o que è preciso è gente que atire fora
com essa gente
essa gente dominada por essa gente
não sente como a gente
não quer ser dominada por gente
Nenhuma
a gente è dominada por essa gente
quando não sabe que è gente
è tu - eu
o maquinal tu - eu
cuja tarefa árdua não
è definir a verdade deslocada
deslocação de grande tonelagem
laboriosa alfaiaria de eros constante
moribunda e esse opróbrio
dispersivo e vexàvel
indiferente da esponja
a história agrega a dificuldade essencial
das variáveis e o ensejo das coisas prática
difícil esta para o maquinal como uma industria
apòcrifa
curso hipnótico dos polímeros
digo com precisão fenomelògica
o maquinal circula na sua hiperesfera
da maneira mais excêntrica
que se crie um pólo positivo
para que o pólo negativo surja
ou vice - versa e as evoluções
telecènicas pela força das catástrofes
desenvolvem suas faculdades latentes
ou absorvem - nas como a esponja absorve
as águas variáveis dos humores que transforma
em polaridade
è um calculador de improbabilidades
limita a informação quantitativa
fornecendo informação estética
è uma maquina eta - erótica
em discrepâncias são fulgurância
da maquina a crueldade elegante
da maquina resulta da competição
pirotècnica da circulação íntima
e fulgurante do seu mecanismo eròtico
o passo místico espantoso
condensava da sanidade
o insurrecto pudor o gelo
do rubor a pressa cerrada
agora em triste vacuidade
o desafio que expande cede
degola o desgarrado nexo
do rasgo
entreaberta apenas não fechada
ainda ou já està a entrar ou a sair
dela já lividamente ou putrefacto
já um homem està na entreaberta
porta a entrada apenas a porta não
fechada ainda ou jà
que o meu existe não sossega
a coisa amada e quando a sente
alegre fica triste se a vê descontente
dà risada e que sò fica em paz se lhe
resiste o amado coração e que se agrada
mais da vida eterna aventura em que persiste
que de uma vida mal aventurada
louco amor meu quando toca fere e quando
fere vibra mas prefere ferir a fenecer e vive
a esmo fiel a sua lei de cada instante
de desassombrado doido delirante
numa paixão de tudo e de si mesmo
a afundar - se pétala por pétala
atè a raiz rasgar - me a pele atè
ao miocárdio e gravar uma singela
derrota mais uma a querer contornar
essa simulação de existência
de repente embora o meu amor
seja uma canção nos teus ouvidos
das horas que passei à sombra
dos teus gestos bebendo da tua boca
o perfume dos sorrisos das noites que vivi
acalentado pela graça indizível dos teus gestos
eternamente fugindo trago a doçura dos que
aceitam a melancolia
porque enches a minha vida ?
porque não voltas mulher querida
sempre perdida nunca encontrada ?
porque não voltas a minha vida
para o que sofro não ser desgraça ?
sabem - me os pés sabem - me a roupa viram - me nu viram - me inteiro no corpo imóvel mas sò me sabem mas sò me vêem mas sò me enterram inex...