sexta-feira, 30 de setembro de 2022

a paz lavra - se paz

se a palavra unidade

harmonia fio condutor

linha continua

corpo virtual

confundir não fazer amor

com amor real

dizer bem è redundante

mal è irrelevante

ignorar uma táctica suja

perigosíssima espiã ou cobarde


atraiçoar a arte sublinha a cobiça

que leva o medíocre ao limite da loucura


paz  limpa - se lava -se a palavra sobrevive

a chama se colhida livre por qualquer alma


no instante da tua cruzar a minha

toda a revolução sò è romântica


se o lugar da fala chegar a escrita

sem usar uma arma de fogo


há um íntimo suor animal que nos perfuma

e ata a morte ao amor a sã irreverência
 

já não faço amor

sò amo

sò o amor une grande

a independência

a liberdade

não ler è como ter vergonha

de perguntar amas - me ?

há uma razão do sémen


para os poetas se repetirem

os homens não os ouvirem


não ler

è como ir ver o mar e não olhar

para o mar
 

na rua

não dou a quem pede o que pede

sò dou à forma como pede

no amor sò dou o que o amor 

me pede não dou a forma como pede

e a vida peço me dê leve aquilo

 que ninguém pede
 

solidão

è sentir o pé a fugir no meio da multidão

è tomar a bica sem paixão è remar contra

a maré è sentir o tilintar da refeição na rua

è calar a verdade nua calando a voz da própria

solidão como  è triste a solidão numa longa

noite de inverno 

solidão è viver sozinho sem um afecto e sem

um carinho porém a mais triste è a solidão


que persiste em dò maior em dor profunda

nostalgia nocturna de Chopin numa sonata


quente de Mozart melancolia num dia de sol

ardente mà fortuna que se sente e não se vê


a flor que mata sem saber sequer porquê ! ...
 

Ò clara brava

companheira que ao meu lado

já mais temeste precipícios e sombras

apenas o relógio e os seus ponteiros

esbatem - se no tempo que apontam

 os segundos os minutos e as horas

que vão e vem novos segundos novos

minutos e novas horas que chegam

 e passam pela nossa vida como se

 de um palco se tratasse onde o passado

de nada serve


são trapos velhos inúteis e os nossos caminhos

jamais se voltaram a cruzar no amor apenas 


se esbatem no tempo  passado presente e futuro

distante onde impera a ilusão não fazendo nenhum


sentido prático a quem ama intensamente


 

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

pôs as mãos

sobre a tua sombra queimei a pele

acendi as folhas troquei de continente

e o vento dos teus cabelos derramou 

na tarde o olor das rosas e do amor

sem magoas em meu ser na tua voz

em mim cheia de ternura falando de amor !
 

acordo ou melhor ainda não me deitei

e já è sexta - feira sem te ter por perto

tomo doce de batôn em duche de jasmim

entre linhas do teu corpo cerejas em pedaços

de sopro de vento sem sopro agarro o teu sorriso

e recordo - me com ternura no meu peito no meu

perfeito juízo a tu pele macia em forma de amor

sem fim amar e ser amado sem fim meu amor ...
 

amo - te

com toda a minha pele

a pele dos meus joelhos

dos meus ombros a pele

das espáduas das pernas

das perguntas a pele do coração

amo com a pele insubmissa

que ostenta a cicatriz da água

que fere na luz quando repele

os limites do corpo amo com a pele

que envolve a minha pele território


e mapas de profundos oiros enterrados


eu amo te e canto te ès a mulher do sol

onde a tua pele e a minha se confundem
 

ès tu que escreves

sò tu me deixas o que escreves

em mim sò tu me deixas o que guardo

no esconderijo do ouvido há sò tu deixei

 de escrever não escrevo estava tudo là

quando peguei nisso foi a mim que muito

escapou e sò em ti o secreto tesouro o eco

o musgo e o âmago

 

há sò tu

já não canto è um encanto

ouvir um passarinho

e já não digo è tão bonito

ficares a olhar para a tua

esperança
 

o amor

acende na aurora nossa lâmpada marinha

enquanto a crisália rompe o milenário càrcer

hei - de espremer a carne sumarenta da tua boca

entre os meus beiços queimados das sedes

 que trago desde o fundo de mim
 

as flores

são tão belas mas decepadas

lançadas na sepultura nas tempestades

da agonia feita êxtase temor fúria e adoração

são despojos soterrados ocultam o amor

que crucificamos nos presságios de normas

insensatas calcinamos de teias dissipadas


em espirais de espuma para là do tempo

esvoaçando ressoando em correntes liquidas


transfiguradas cumprindo ironias de sangue roxo

improvável sem retorno delicerando o melhor


de nòs como se o amor fosse abrir e abolir

a génese dos afectos petrificar sensações


crispar fluidos  silenciosos como são belas 

as flores e vegetam !


 

a comunicação para além das palavras

nem sempre a eloquência

do silêncio fere o sentido

sufocado das palavras

por dizer eu e tu conhecemos

a palavra da comunicação


perfeita mesmo não dispondo 

de palavras
 

tu

ès fogo cintilante

que branca ave cujo

voo se espraia no desejo

com perfume ainda que fujas

de mim em ti quem me livra

de mim de quem sou

 para continuar a ser o que não ès ainda
 

longe de todos

no meu mundo imaginária

meu amigo que è o meu quarto

e nele encontro um sorriso que

anda perdido pelo infinito là

no fundo uma gargalhada fingida

que està cheia de emoções cheia

de medos as lágrimas libertam

o mistério dos segredos mudos

que sò eu sei desvendados no meu

refúgio mais íntimo a minha solidão


que è a paz do meu espírito ao nascer do sol

o sonho se desvanece como uma nuvem


brilho incandescente de cores

os rios cegavam os olhos e fecho - os


sentem - se incomodados com o nascer do sol
 

de solidão nos meus olhos a um mundo

de silêncios entre os braços no mar

os pescadores sem barco as searas nas

lágrimas e canto no rio è porque assim

faço sentir a sua estupidez dos sentidos

não concordo comigo mas absolve - me

porque sou essa coisa seria um interprete

da natureza porque há homens que não

percebem a sua linguagem por ela não ser

linguagem nenhuma
 

trouxe medo

quantas mesas de café na minha

mente imaginação doente minutos

na velocidade torturante das vertentes

mãe eu delirante trouxe morte multiplicada

nas palavras e sò apenas nòs de mãos arrepiadas

nas ancas dos dias  demasiados quentes imaginando


a violência a glória a febre
 

de mãos completas

apenas nòs  nem o mar

nem os barcos nem a

urgência de céu a paz

nos olhos das crianças

mão loucura cristalizante

eu
 

a minha tristeza è sossego

porque a alma è justa

assim como a natureza

e quando è pensante

e as mãos colhem flores

a humanidade segue ampliada

de vontade contra o tempo

quebram - se os espelhos repletos

de imagens repletas uma mulher

pariu sò de lembrança duas vezes

sol a todos nòs que a revolta se levante


que abram as janelas e que nos jardins

completamente raro de sol raro de céu


possamos rir de braços afastados e de mãos abertas

como se de mar as searas se tivessem tornado todas


verdes


apenas vagaram - me os joelhos das dores dos teus joelhos

a fome das mãos ao sol sobre os seios a ausência das pedras


das ervas e da glória da árvore cultivaram - me as ancas
 

oiço falar

da minha vocação mendicante

e sorrio porque não sei se tal

vocação não è apenas uma escolha

entre as riquezas como Kearts diz ser

a poesia desci a rua a pensar

nisto atravessei o jardim um cão saltava

a minha frente louco com as folhas de Outono

que principiara e douravam o chão

à musica digamos assim a que toda alma aspira ter 

o melhor dele corria a minha frente por certo aos ouvidos


de Deus com ajuda de um cão que nem

sequer me pertencia

 

as estrelas cantam

o mar suspira uma ilusão

numa alegria que trás

a paixão de viver por momentos

talvez para rebentar os rebentos

secretos de tudo o que se trás

 no coração numa noite a solidão

impera os ventos sopram as atitudes

refugiam - se no mar que parte com


as andorinhas a voar a procura de outro

lugar para morar


 

não fazer nada

nada fazes que para o bem

que perfeição !

no espaço quieto perfeito

último ser luz pureza apenas

ternura estrelas minhas que perfeição

por isso vòs estais no céu sublunar

não me deixes fazer nada

não não me deixes ir já indo

lua pálida poema fechado fala

dos tempos dos mistérios e medos


da nossa povoação
 

estrelas altas

buscai por todo o céu

não fuja esta noite

em cada mão pelas

sondas a nossa lâmpada vale !
 

ai

negras são as coisas

e as mãos mas nada

è azul e o azul reina

celeste e incontestável

luz 
 

A rosa

do deserto è que è rosa!

não o oásis não a fonte

que sobre a terra canta !

que seja fogo e suba 

aos cume das águas seminais

e duras e cante invada inunde

 juventude
 

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

fazemos

os sonhos mesquinhos

sò da nossa imagem 

os rumores e os serudos

todos aos caminhos

e não a viagem


 

vem por aqui

dizem - me alguns com olhos doces

estendendo - me os braços e seguros

que os ouvisse quando me dizem

vem por aqui olho - os com olhos

laços há nos meus olhos ironias

e cansaços e cruzo os braços
 

Solidão

a escrever o que a nossa alma

sente è um caminho sem meta

è um aprender a ser gente

aprendendo a ser poeta !
 

Que

linda ès no aveludo de cetim

lua de marés vale de enseadas

ancorando na cruz da madrugada

rios de sonho cor de marfim
 

Amizade

sobre a beleza da fraternidade

em água corrente cristalina

pouco se escreve o coração

bebe as palavras que a razão

não sabe separar das águas

sò o sentimento de partilha

ensina a escrever a verdade !
 

como

è triste a solidão porém mais triste ainda

è a solidão que persiste em pleno verão

em dò maior em dor profunda nostalgia

nocturna de Chopin num dia de sol ardente

numa sonata alegre e quente de Mozart

 mà fortuna que não se vê flor que mata

sem saber porquê !


Hoje

tudo isto è irónico

rsss ... bela comédia

de amor calar a verdade

nua calar calando a dor

a voz da própria solidão
 

Sò tu ès o infinito

superior a Deus

Deusa mulher do meu coração

sò em ti o meu universo e a nossa 

liberdade insubmissa somos 

verdadeiramente livres

incomparavelmente ès a  pureza

A Deusa do amor dentro de mim

desperta - me trás contigo a luz

e tiram - me deste abismo desta

solidão desta imensa escuridão
 

não sei se me desculpo

ou se me culpo por esta paixão

vazia tão sem sentido por esta

ilusão deste amor inexistente

talvez um deslize neste mundo

tão absurdo e fechado em si

próprio onde não è possível

amar e ser amado onde a felicidade

è como uma pastilha elástica em que

se mastiga e se deita fora è assim a vida

nesta sociedade tão egoísta e consumista


onde nòs somos descartáveis onde somos 

usados e depois deitados ao lixo sem retorno


sem amor ! num sonho impossível de viver

como se de uma ressaca se tratasse
 

náufragos de noite

o tempo dos cabelos em clepsidras

de água o tempo das esquinas no gosto

o tempo de olhar nos olhos dos espiões

gerações submersas alheias ao testemunho

da distância recomeçamos no ventre da água

incerta urge - nos a planície de quilómetros

assimétricos onde nos refugiamos expectantes


de naufrágio
 

Penumbra

aconteceram - me flores nas mãos

do mundo soldados de vigia de lábios

ancorados ao nevoeiro de tardes

de penumbra trocaram - me as noites

por girassòis clínicos no jardim de grades

arquejantes de orvalho


portas de breves despedidas

que não olho odiando a fictícia


paz das coisas missivas de febre

latentes nas veias e os sonhos


de imagens  matutinos

aconteceram - me esquinas de madrugadas


centrais onde colho de bruços o enorme gare

nocturna de despedidas vegetais e inconscientes


únicas

 

digo - te

que te limites no espaço

mas tu voas tambèm debaixo

de água tu ès o anjo deste tempo

astronauta voando na memória

nas galáxias do vento tens um pacto

tens um pacto com aquilo que voa

as aves da poesia os anjos do sexo

não há nada que a tua voz não abra

ès a bruxa da palavra mulher perdida

na noite abelhas raras de nuvens


lama lacerada de lacre mulher cansada

de paz seus lábios de sangue acre de mar

perdidos os braços na noite


mulher doida de olhos retalhados

de guerra de campos em violeta 


lavrados de dor saliva dolente de sol

quente ... quente ... quente

mulher ansiosa prolongada de dia


de seios como luas doentes de febre

vagina de chuva atada de tranças 


suerguidas nos muros

ventre de morte

morte palavras rouca de amor


Outono moribundo

garça ... garça ... garça


mulher de espasmos febris de seda rasgada

rasgada de ombros moribundos


rota louca de sangue lacerado

lembrança que fere

crepúsculo cerrado de afago


fácil de lagos fáceis angustiadas flores 

angustiadas louras abelhas saqueadas


de sexo

deusa ... deusa ... deusa

mulher perdida na noite


 ferida ... ferida ... ferida


 

um ruído de asas que me è próximo

um odor a framboesa um sabor

a leite e a morango numa uterina

luz da penumbra acesa um pouco

acima dos teus olhos como um pássaro

a voar bem por dentro do interior dos lábios


a parte que è anjo do meu corpo

te procura a meio da madrugada


sobrevoando o lago que è suposto

ser o teu sono aquilo que calava


a parte que è de anjo do meu corpo

e visita - te a meio da madrugada descansando


as asas dos meus ombro a teu lado por em cima

da almofada voavas com a memória no sentido


inverso do silêncio e do sono ouves através de mim

o breve respirara das minha asas quase imperceptível


um ligeiro arfar como a brisa a passar entre as casas

anjos mulheres voar è um gesto de mulher


as mulheres voam como anjos com suas asas feitas de cristal

de rochas disponíveis para voar soltas


primeiro lentamente uma por uma depois iguais aos pássaros

fundas   ... nadando juntas secretas a rasar o chão a rasar a fenda


da lua no menstruo por entre as fendas das pernas às vezes è aço

que se prende na luz a desbravo o espaço ? 


 

não tenho

a noção de quando

o corpo è corpo

o corpo num desejo voando

sobre o que è baixo

sobe voando o que è baixo

por cima  ...
 

Ardeu Sodoma

 

e Gomorra ao amor

terra se um dia lhe teceres

o corpo adormecido põem

folhas verdes onde os outros

põem silêncios sê leve para

quem foi contigo


dà - lhe o meu coração para o sonho

e deixa as minhas mãos para tecer


as magoas de um desamado por amor !

A grandeza Humana

està próxima solta - te voz

e proclama o amor ardente

de paixão que há em ti por

quem amas verdadeiramente !
 

Os lugares comuns

quando o marido que se vai casar

contigo chega pela primeira vez

a tua casa estavas a sair da casa

de banho devastada de angelismo

e carência mesmo assim ele olhou

com olhos  admirados e segurou

 a tua mão mais do que o tempo

normal a pessoas acabadas

de se conhecer o facto atè hoje

ele amar - te com amor de vagareza


súbita chegas quando sabes que ele vem

fechas a porta para a grata surpresa


vais abrir como fazem as noivas e as amantes

o seu nome è o anjo do teu corpo
 

a casa è um chalé com alpendre forrado de hera

na sala tem uma gravura

de natal com neve

não tem lugar para esta casa

em ruas que se conhecem

mas afirmo que tem janelas

claridade de lâmpadas atravessando

o vidro


uma noiva que ronda a casa

a casa esta que parece sombria


e uma noiva là dentro que ès tu

è uma casa de esquina indestrutível


moras nela quando queres acender o fogo

as torneiras jorram e ficas a espera do noivo


na tua casa aquecida não fica em bairro esta 

casa infensa à demolição


fica num modo tristonho de certos entardeceres

quando o que um corpo deseja è outro corpo


para escavar


uma ideia de exílio e túnel


 

Sensorial

obstrução è do amarelo que eu ponho

pimenta e cravo

mastigo a boca nua e me regalo

amor tem que dizer meu bem

dar - me caixa de musica de presente

conhecer vários tons para uma sò palavra

se dor de Deus eu adoro

se for de mulher eu testo com seis instrumentos

fico a gostar ou perdoo

procuro sol porque sou bicho de corpo


sombra tereis depois o mais frio
 

Antes do nome

não me importa a palavra esta corriqueira

quero o esplêndido caos de onde emerge 

a sintaxe os sítios escuros onde nasce o

«  de » o « alias » o porém o « o » e o « que »

esta incompreensível muleta que me apoia

quem entender a linguagem entende Deus

cujo filho è verbo morre quem entender

 a palavra è disfarce  de uma coisa grave

surda - muda foi inventada para ser calada

em momentos de graça infrequentìssimos


se poderà apanha - la  um peixe 

vivo com a mão puro susto de terror


 

Exausto

eu quero uma licença de dormir

perdão para descansar horas a fio

sem ao menos sonhar a leve palha

de um pequeno sonho

quero o que antes da vida foi o profundo

sono da espécie a graça de um estado

somente muito mais que raìzes
 

terça-feira, 27 de setembro de 2022

onde me perdi

de amores e acordei

na outra margem sem

a tua paixão sem o teu olhar

sem o teu amor onde desperto

sò para a vida em busca de um

amor verdadeiro e ternurento

de paixão viver e ser feliz !
 

espelho lado

a lado ao lado

ir indo achando a fùria

da enxada e a ternura

do cajado em falta


existe uma rua onde observo

o mar as ondas já desapareceram


apenas os seus rochedos

seus mexilhões e anemònas


a ligeira brisa e a outra metade

 da realidade


o teu nome a outra metade do sonho

o barco a viagem !
 

Pessoa caminhante

andante deste mundo

sem fundo converge

de passos perdidos

com os sentimentos

aturdidos da rebuliçe

de emoções 
 

Reparo as flores

e sorrio

não sei se elas compreendem

nem se eu as compreendo

mas sei que a verdade està nelas

e em mim e na nossa comum divindade


de nos deixarmos ir e viver pela terra

 e levar ao colo pelas estações contentes


e deixar que o vento cante para adormecermos

e não termos sonhos os nossos sonhos o coração


 

sabem - me o rosto

sabem - me os pés sabem - me a roupa viram - me nu viram - me inteiro no corpo imóvel mas sò me sabem mas sò me vêem mas sò me enterram inex...