sexta-feira, 7 de outubro de 2022

sabem - me o rosto

sabem - me os pés

sabem - me a roupa

viram - me nu

viram - me inteiro

no corpo imóvel

mas sò me sabem

mas sò me vêem

mas sò me enterram

inexistente

alheio e estranho


entrando em mim


 

Há palavras

que nos beijam

como se tivessem boca

palavras de amor de esperança

de imenso amor de esperança

louca palavras nuas que beijas

quando a noite perde o rosto

palavras que se recusam aos muros

do teu desgosto de repente coloridas

entre palavras sem cor
 

chega a hora

o sonho será terra o medo dará 

seu ultimo vitèm e o passado

e o futuro serão guerra de não

ser sobre a terra de ninguém

árvore gémea  a quem em dor

se enterra o céu descerá em busca

de outro além e unidos ambos corpos

e céu a alma errará distante mas morta

tambèm será possível mesmo o fim

de tudo tudo tão rápido ?


o pássaro ao vento ò ave sombra

cantai num templo mudo atroz saudade


da alma nunca vista passo perdido em negro

paisagem morta que terra conquista !

 

a esta hora

a neve desconhece ainda

as cores que a recebem

sò o lago iluminado 

pelo luar se abre ao céu

com a sua face transparente

do outro lado da baìa a neve

pousou nas colinas è um costume

celebrado o de os habitantes olharem

essas escarpas desertas aguardando

 o inverno







 

despeço - me das ruas

depois de a chuva ter caído

em breve com o vento frio

vindo do norte será neve

a cair na avenida mais próxima

da baía sente - se já esse vento 

como uma doce esperança a pairar

sobre o telhado da cidade




 

o esqueceste muitas vezes choveu

sobre ele e sobre nòs os relâmpagos

não bastam para que o mundo o mostre

chamas - lhe revelação ao gesto que abre

os braços o primeiro olhar que se ama 

lentamente nele cabe o silêncio anterior

as coisas que estremecem sò de terem

um nome uma sombra um modo de adormecer

a partir dai do primeiro som tudo se recomeça

enquanto o dia não curva repousando


 agora ela perfuma a vida

haverá outra maneira de descrever


todas as coisas que nascem assim

mas esta basta è a mais simples


a mais amada das coisas cede o seu lugar

por esse minuto esse som o gesto que abre


os braços è um destino complicado ou ès poeta

ou preferes o trabalho do romancista ou te entregas


ao dialogo à discrição a narração pausada a medida 

como um instruo a  mente rigoroso ou te deixas tocar


pelo silêncio





 

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

o primeiro som

devora - o a noite mas fica para sempre

por ter sido à primeira das coisas comuns

aquele minuto nunca se repete

vagamente o lembrarás mais tarde

porque  è frequente falar - te do mistério

da vida
 

sabem - me o rosto

sabem - me os pés sabem - me a roupa viram - me nu viram - me inteiro no corpo imóvel mas sò me sabem mas sò me vêem mas sò me enterram inex...