com olhos doces estendendo - me
os braços e seguros que os ouvisse
eu olho com olhos lassos há nos meus
olhos ironias e cansaços e cruzo os braços
a minha glória è esta criar desumanidade
não acompanhar ninguém que eu vivo
sem o mesmo sem vontade que rasguei
o ventre a minha mãe
não não vou por ai
sò vou onde me levam os meus próprios passos
se ao que busco nenhum de vòs responde
porque me repetis vem por aqui ?
prefiro escorregar nos becos lamacentos
redemonhar ao vento como farrapos arrastar
os pès sangrentos a ir por ai
se eu vim ao mundo foi sò para desflorar
florestas virgens e desenhar os meus próprios
passos na areia inexplorável o mais que eu faço
não vale nada
ides tendes estradas
tendes jardins
tendes canteiros
tendes pátrias
tentes tectos
e tendes regras
tratados filósofos
e sábios
eu tenho a minha loucura
como um facho a arder na noite escura
e sinto espuma e cântico nos lábios
Deus e o Diabo è que me guiam
mais ninguém
todos tiveram pai
todos tiveram mãe
eu que nunca principio nem acabo
nasci do amor entre Deus e o Diabo
ah ! ... ninguém me dê piedosas intenções
ninguém me peça definições
ninguém me diga vem por aqui
a minha vida è um vendaval que se soltou
è uma onda que se levantou è um átomo
a mais que se animou
não sei por onde vou !
não sei por onde vou !
sei que não vou por ai !

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