quinta-feira, 6 de outubro de 2022

os olhos grandes

olham - me e perdem - me

surpreendem - me quando

reparo na chuva de Janeiro

o seu brilho não esquece

ri de mim não pode ser outra

coisa enquanto a chuva miudinha

e fria a chuva de Janeiro seguro

ao colo a minha filha ela olha - me

vagamente

a luz esplêndida arrebatada


sente - se essa  emoção tão pequena o tempo passa

e esquece não o sente adormecida e encostada ao peito


um sopro seria agora um ventania inútil enquanto digo

versos em silêncio grato pelo milagre de o ver perfeito


è outra coisa comum esta perfeição  os olhos as mãos 

a boca um leve perfume que hà - de ficar na camisinha


de flanela esvoaçando de Janeiro a Janeiro afastando

o medo de inverno esse mal que vem entre as roseiras


frias e mais nuas do mês 
 

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