terça-feira, 4 de outubro de 2022

O puro e o impuro

dà -me o que morre o que não morre 

o que suspeita sem ferir o que abre

as feridas descendo das vinhas para

o rio o teu rosto aparece muitas vezes

nos espelhos como uma tarde de Outono

mente sobre as coisas que matam

esquece onde eu esqueço

adia esse lugar

nem voz 

reinventa a história do mundo


por um verso apenas reabre o tempo

abre as janelas os vidros deixa ver


a manhã a que nos desperta

há quanto tempo a esqueceste


o vento dedica - se ao ritmo das estações

vem com o ruído dos comboios


com a chuva das árvores

esconde - se nos tanques


onde a morte se abriga
 

Sem comentários:

Enviar um comentário

sabem - me o rosto

sabem - me os pés sabem - me a roupa viram - me nu viram - me inteiro no corpo imóvel mas sò me sabem mas sò me vêem mas sò me enterram inex...