sábado, 3 de setembro de 2022

retrato do poeta

quando jovem

há na memória um rio

onde navegar os barcos

da infância em arcadas

de ramos inquietos que despregam

sobre as águas as folhas recurvadas

há um bater de remos compassado no silêncio

da lisa madrugada

ondas brandas se afastam para o lado com o rumor


da seda amarotada

há um nascer do sol no sitio exacto


à hora mais conta de uma vida um acordar

de olhos e de tacto um ansiar de sede extinguida


há um retrato de água e de quebranto que do fundo

rompeu desta memória e tudo quanto è rio abre no canto


do retrato da velha història
 

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