sexta-feira, 2 de setembro de 2022

posso dar - te

a carta de marinha mas o traço

que nela insinuasse um entre

tantos rumos

não

posso dar - te as tábuas de marés

mas a leve emoção de cavalgar

onde onda após onda


não


posso dar - te a rosa e o timão

mais o desequilíbrio concertante ao balanço do bordo

não


posso dar - te exemplos de acoragens   mas o galeio

de barco seguro retesando as amarras

não


posso dar - te o longe nos binóculos ma acolá das lentes à paisagem

convidando à viagem

não


posso dar - te noticias do mar calmo mas o rumor das franjas no espelhado

junto à roda de proa

não


posso dar - te o gorro de marinheiro mas a pressão de linho nos cabelos

enquanto sopra o vento

não


posso dar - te a direcção da chuva mas o gosto da baga salitrada

escorrendo no rosto

não


posso dar - te os nomes de alguns peixes

mas o espanto de vê - los acender fosforescentes

rastros

não


poso dar - te frios conhecimentos ma o que se acalenta no convívio

amoroso do mar

não



 

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