quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Portwine

O Douro è um rio de vinho

que tem foz em Liverpool

e em Nova - York

e no Rio e em Buenos Aires

quando chega ao mar vai

nos navios cria seus lodos

em garrafeiras velhas desemboca


nos clubes e nos bares


O Douro è um rio de barcos 

onde remam os barqueiros suas desgraça


primeiro se afundam em terra as suas vidas

que no rio afundam as barcaças


nas sobremesas finas as garrafas assemelham

cristais cheios de rubis


em Cape - Town em Sidney em Paris tem um sabor

generoso e fino o sangue que do cais exportamos 


em barris


as margens do Douro sõ penedos fecundados de sangue e amarguras

onde cava o meu povo as vinhas como quem abre às próprias sepulturas 


nos entrepostos dos cais em armazéns comerciantes trocam por esterlinos

o vinho que è o sangue dos seus corpos moeda pobre que são os seus destinos


em Londres os lords e em Paris os snobs no Cabo e no Rio fazendeiros ricos

acham no Porto um sabor divino mas a nòs sò nos sabe sò nos sabe à tristeza


infinita de um destino


o rio Douro è um rio de sangue do meu povo 

corre meu povo liberta - te !

liberta - te meu povo ! ou morre !


 

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