segunda-feira, 26 de setembro de 2022

nòs vivemos a violência dos sons

da nulidade das palavras

cujo o fogo è um falso

artificio e das imagens

de mecânica magia

e já não temos em casa

os espaços do silêncio

e já não vemos as estrelas


ofuscadas pelo fulgor dos candeeiros


outrora as casas tinham grandes salas e corredores


 em que a obscuridade obrigava o movimento e as janelas

abriam - se para as majestosas potências do mar e das montanhas 


e do infinito o amor respirava o esplendor do verão e nòs  pressentíamos

o volume da sua nudez clara e forte


o amor è ideia mas tambèm matéria de ser quotidiano sob o arco

do tempo ele è a tranquila vivacidade da obra que cada um realiza


através dos obstáculos e a gravidade vontade de modelar o mundo

o amor è a fantasia da pura verdade ele não existe è a consciência viva


e se tem um corpo è um corpo que se levanta como um volume

sobre a vontade de construir o mundo lacerada è a consciência 


do amor traído que porém nada envilece  na sua pedra perene

embora lacerada tambèm pela ventania dos que não amam


a nobreza do seu perfil


 

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