mesmo quando surgiste achei que seria
igual mais uma paisagem colorida
com cores novas intensas e mais quentes
mas não deixava de ser uma paisagem
e foi devagar como quem aprende
a caminhar no incerto que com a imensidão
do teu interior acorrentaste o meu coração
ao teu era fácil fantasiar idealizar alguém
sò porque os meus olhos viam paisagens
que eram o oxigénio que o meu jardim precisava
e depois ver a primavera afundar - se pétala
por pétala atè a raiz rasgar - me a pele ferir - me
atè ao miocárdio e gravar - me uma singela agonia
de derrota mais uma a querer contornar essa simulação
de existência não se trata de uma vontade que de olhar
se faz viva não se trata de uma moldura que encaixa
muito menos de uma pele com fome
o limite não è um orgasmo ou vários
orgasmos
nunca fui de pernoitar numa cama vazia a espera
de um beijoque me despertasse na manhã seguinte
na verdade nunca fui de pernoitar em camas onde
os lençóis não fossem reconhecer um cheiro que
me envolvesse
ma existem chamas que aproximam
peles que convidam o corpo mendiga
na liberdade e a saturação da ausência aproxima
não acontece o apocalipse mais conjuga - se
a imaginação que vigente decora o céu e consegue
colorir o espaço vazio
desde que te conheço que esta minha realidade ruiu
não que ela me fizesse feliz pelo contrário era tão
frágil mas mantinha - me sustentava - me e era palpável
hoje sinto repulsa se alguém me toca
nenhum corpo me convida
nenhuma boca me desperta
nenhuma pele me aquece

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