sexta-feira, 27 de maio de 2022

tudo começou a desperdiçar - se

mas tudo começou a desperdiçar - se

mesmo quando surgiste achei que seria

igual mais uma paisagem colorida

com cores novas intensas e mais quentes

mas não deixava  de ser uma paisagem

e foi devagar como quem aprende 

a caminhar no incerto que com a imensidão

do teu interior acorrentaste o meu coração

ao teu era fácil fantasiar idealizar alguém

sò porque os meus olhos viam paisagens


que eram o oxigénio que o meu jardim precisava

e depois ver a primavera afundar - se pétala 


por pétala atè a raiz rasgar - me a pele ferir - me 

atè ao miocárdio e gravar - me uma singela agonia 


de derrota mais uma a querer contornar essa simulação


de existência não se trata de uma vontade que de olhar

se faz viva não se trata de uma moldura que encaixa


muito menos de uma pele com fome

o limite não è um orgasmo ou vários


orgasmos


nunca fui de pernoitar numa cama vazia a espera

de um beijoque me despertasse na manhã seguinte


na verdade nunca fui de pernoitar em camas onde

 os lençóis não fossem reconhecer um cheiro que


me envolvesse


ma existem chamas que aproximam

peles que convidam o corpo mendiga


na liberdade e a saturação da ausência aproxima

não acontece o apocalipse mais conjuga - se


a imaginação que vigente decora o céu e consegue 

colorir o espaço vazio


desde que te conheço que esta minha realidade ruiu

não que ela me fizesse feliz pelo contrário era tão


frágil mas mantinha - me sustentava - me e era palpável


hoje sinto repulsa se alguém me toca 

nenhum corpo me convida

nenhuma boca me desperta

nenhuma pele me aquece

  
 

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