domingo, 29 de maio de 2022

Alexandra

há pequenas aves que têm raìzes na palavra

essas palavras que não ficaram arrumadas

com decência na literatura

palavras de amantes sem amor

gente que sofre e quem falta o ar quando

faltam as palavras

quando digo o teu nome há uma ave que

levanta  voo como se tivesse nascido o dia

e uma brisa encancerada nas amêndoas

se soltasse para impelir para o mais frio


para o mais azul quando volto para casa o teu nome

vai  comigo e ao mesmo tempo espera - me já numa


casa construída com dois nomes  como se tivesse

duas frentes uma para a montanha e outra para o


mar


por vezes dou - te o meu nome e fico com o teu

espreito então pelas janelas de onde se vêem


coisas que antes nunca tinha visto coisas que adivinhava

mas que não sabia coisas que sempre soube mas que nunca


quis olha nessas alturas o meu nome  è o teu olhar são

justamente a pronúncia do teu nome que se diz com


um pequeno brilho molhado um som pequeno como

um roçagar de asas dessas aves que constroem o ninho


na folhagem da fala e criam raìzes fundas nas palavras

vulgares que os amantes vulgares engrandecem quando


falam de amor
 

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